Além do nosso blog, você poderá encontrar o Sonora Aurora no grupo do LastFM e no Facebook.


Diabolical Hoodoo - Devilry, Doom & Hellfire 1920-1952
Postado por Andre Carvalho em quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015.





















1. Satan Is Busy In Knoxville, Tennessee - Leola Manning
2. Wade In The Water - The Charioteers
3. Somebody Done Hoodooed The Hoodoo Man - Louis Jordan
4. Lavender Coffin - Joe Thomas
5. Stay On The Right Side Of The Road - Norridge Mayhams And The Blue Chips
6. When I Stand Before The King - Blind Joe Taggart
7. Black Cat Bone - Lightnin' Hopkins
8. Mean Black Cat - Charley Patton
9. Devil Got My Woman - Skip James
10. Hoodoo Man Blues - Victoria Spivey
11. Ghost Dance - Truett And George
12. Haunted Blues - Memphis Minnie
13. Oh You Devil You - Oliver Brown
14. Old Devil - Bo Carter
15. Evil But Kindhearted - Brownie McGhee
16. Evil Devil Blues - Johnny Temple
17. Satan Take A Holiday - John Cali
18. Dark Was The Night (Cold Was The Ground) - Blind Willie Johnson



126 MB | 320 kbps
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Albert Huybrechts - Chamber Music For Wind Instruments (Recorded in 1994)
Postado por Andre Carvalho em domingo, 22 de fevereiro de 2015.










Wind Ensemble Quintessens

Marijke Ghleysen - fluteJan 
Maebe - oboe
Geert Baecklelandt - clarinet
Rik Vercruysse - horn
Bart Snauwaert - basson
Jean Michiels - piano
Filip Verpoest - viola
Frank Hendrickx - flute & piccolo

Recorded in Belgium, 1994

Label Vox Temporis Prod.

Sextuor pour instruments à vent: Pastorale
Trio pour flute, alto et piano
Suite pour instruments à vent et piano
Quintette pour instruments à vent

156 MB | 320 kbps
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Albert Huybrechts - Unknow Cassette
Postado por Andre Carvalho.










É particularmente maravilhoso que a internet e o compartilhamento de arquivos possam nos ter dado a oportunidade do acesso a tal gravação. Vejam vocês, uma fita cassete antiga, um presente para um amigo, e nela as gravações de um compositor magnífico e quase esquecido. Não é de se admirar a dimensão e impressão absolutamente particular que a música desta mídia acaba tendo sobre nós. A "má qualidade" da fita (e sobre estas circunstâncias devemos repensar um pouco essa "má qualidade"), os ruídos e sons nela presentes por conta da precariedade com que foi gravada, se insere sorrateiramente na música  lhe dando a dimensão de um tempo estagnado, fora de algo o qual estamos habituados comumente. 

Que isto tenha sobrevivido até agora, é extraordinário. Que quem tenha presenteado um amigo com esta fita tenha sido o Daniel Denis, baterista do Univers Zero, é mais extraordinário ainda.


Segue as informações que se encontram em um documento de texto junto com as músicas, uma troca de e-mails na verdade, explicando a origem desta fita e sua posterior distribuição. Boa audição.


From magmasystems@yahoonospam.com Fri Sep 08 07:49:07 2000
Subject: Re: (Modern Classical) File 1 of 1 - Michael Finnissy - Red Earth - 1. Red Earth.mp3 (00/83)
Reply-To: magmasystems@yahoonospam.com (remove the nospam)
Date: Fri, 08 Sep 2000 11:49:07 GMT

Hi Spark,

Glad your liked the stuff.

I actually have a cassette of Huybrechts music that Daniel Denis gave
to me about 15 years ago. However, consistent with the usage of
low-quality cassettes, the sound quality has probably deteriated a
bunch. I can still try to make a rip off of the cassette ifnobody else
can supply the Huybrechts.

-marc

On 8 Sep 2000 01:39:23 -0500, Spark Mandrill <spark@mandrill.org>
wrote:

>On Thu, 07 Sep 2000 23:02:39 GMT, Toru59@mailcity.com (Toru) wrote:
>
>>Thanks for posting this VanderTop. What a great piece!
>
>Seconded.  While we're doing modern (more or less) classical, does
>anyone have any Albert Huybrechts they could post?  Thanks!


From MagmaSystems@nothing.com Wed May 30 14:14:05 2001
From: MagmaSystems@nothing.com (MagmaSystems)
Subject: (20th Century) File 1 of 7 - Albert Huybrechts - 01 - Concertino for Cello and Orchestra (1932).mp3 (00/44)
Organization: Utopic Sporadic Orchestra
Reply-To: MagmaSystems@nothing.com
Date: Wed, 30 May 2001 18:14:05 GMT
NNTP-Posting-Host: 24.180.23.44

Albert Huybrechts

There is nominal interest in this Belgian composer because
Daniel Denis, the founder and drummer of Belgian progressive
rock group, Univers Zero, has cited Huybrechts as one of his
big influences.

It seems that Huybrechts had a miserable life, and provided all
of the angst needed for a group like Univers Zero.

These tracks come from an old cassette tape that Daniel gave
me about 18 years ago., No other info other than the song
titles was provided. The recordings are not in the greatest
condition. Perhaps some audio wizard will clean them up and
report them.. even better, maybe someone who has the
original LPs will rip them.

Huybrechts doesn't do anything for me.. perhaps your mileage
will vary.

For more info on Huybrechts (get out your French dictionaries)
http://www.lamediatheque.be/Travers_sons/huybrechts.htm














Concertino (pour Violoncelle et Orchestre)
Poème Féerique n°1
Poème Féerique n°2
Chant Funèbre (pour Violoncelle et Orchestre)
Sérénade en Trois Mouvements
Choral (pour Orgue)
Chant d'Angoisse



80 MB 
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Valentin Silvestrov - Cantatas (1997)
Postado por Andre Carvalho em sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015.








As composições presentes nas Cantatas de Silvestrov correspondem ao período de 1975 a 1995, sendo o período de 77' quem sabe o mais bonito da carreira do compositor. O album foi lançado em 1997, pela MegaDisc, uma gravadora belga, mas com execução do Coral Nacional Ucraniano Dumka, e pela Kiev Camerata.

As duas últimas cantatas também aparecem na coletânea On Photography, em uma excelente execução do Latvian Radio Choir, quem sabe um dos mais belos corais do mundo, contudo devo afirmar que nada se compara, ou virá a se comparar com esta performance do Ukrainian National Capella 'Dumka'. Não é uma questão simples de técninca, ou até mesmo do idioma, mas sim da compreensão do símbolo e do significado que o poeta e herói nacional Taras Chevchenko possui para os ucranianos. Esta identificação nacional está intimamente ligada com o sentido poético e força emotiva de seus versos.


Auto-retrato do pintor T. Chevchenko
Taras Shevchenko viveu entre 1814 e 1861; nascido em uma família de servos, devido ao talento demonstrado na escrita e principalmente na pintura, seu amo P. Engelhardt o levou para tomar aulas de artes nas cidades de Vilna e São Petersburgo. Teve sua liberdade comprada aos 24 anos por  alguns pintores e pelo poeta russo Zhukovsky, que viram um grande talento em Chevchenko.


Chevchenko ganhou várias medalhas e prêmios por seus trabalhos artísticos, mas no entando, em 1847 sua vida sofreu um revés. Foi preso acusado de conspiração e de ser membro de um grupo político chamado 'Irmandade dos Santos Círilo e Metódio' (organização que visava a liberalização do Império Russo  transformando-o em um confederado de estados eslavos), junto consigo a polícia encontrou o poema "Son" (Sonho), o qual satirizava o czar e sua esposa. Chevchenko foi mandado para o exílio em Oremburgo, em uma base militar russa, perto dos montes urais.



O poeta retornou para a Ucrânia em 1859, e já com a sua saúde muito debilitada faleceu em São Petersburgo em 1861, tendo o corpo posteriormente transferido para um cemitério nos arredores da pequena cidade de Kaniv.






Estátua de Chevchenko em Prudentópolis-PR

Voltando ao Silvestrov, ele dedicou este album para a sua falecida esposa Larissa Bondarenko (creio que tudo o que foi composto após 1996 foi dedicado de certa forma a ela), e mesmo as composições sendo anteriores a morte de Larissa, encaixam-se perfeitamente com um sentimento de despedida, redenção e fatalismo.



***

Quando resolvi subir para o youtube as cantatas IV, V e VI, demorei muito para encontrar uma imagem que pudesse ser utilizada no vídeo, no sentido de corresponder minimamente com toda a emoção e sentimentos estranhos que a música do Silvestrov me passa (em especial estas cantatas). Inicialmente me ocorreu pesquisar alguma imagem sacra, mas depois vi que esta era somente uma das dimensões da música; depois pensei em alguma paisagem que fosse desolada e ao mesmo tempo conseguisse transmitir qualquer que seja o sentimento ambíguo de serenidade e inquietação, mas vi também que estava incorrendo em um "hedonismo óbvio". Resolvi pensar subjetivamente em algo grandioso o qual igualmente me inquietasse e despertasse um sentido de contemplação, e logo pensei na ficção científica. Mesmo não sendo nenhum estudioso de física, o que sempre me aguçou mais a curiosidade foram os filmes e a literatura desse gênero, principalmente quando se teorizava o universo e as sociedades futuras, em específico as sociedades futuras. Como será a religiosidade do homem nos próximos séculos? O quê o abandono progressivo da herança histórica dos nossos antepassados provocará definitivamente? Como a constante transformação e evolução da tecnologia afetará o nosso entendimento e relacionamento com o mundo? Essas são só algumas questões..

É algo muito interessante de se pensar a relação imagem-estática e música, e como na maioria das vezes ela possa ser mais interessante do ponto de vista de imersão na música do que propriamente um vídeo. Mas enfim, o post é imenso mas não penso que poderia ser de outra forma. Finalizaria afirmando que este albúm é IMPERDÍVEL.















Choir – Ukrainian National Capella "Dumka" (tracks: 5 to 9)
Conductor – Virko Baley (tracks: 1 to 4)
Conductor [Choir] – Evgen Savchuk (tracks: 5 to 9)
Orchestra – Kiev Camerata (tracks: 1 to 4)
Soprano Vocals – Lidia Stovbun (tracks: 1 to 3)
Tenor Vocals – Konstantin Klein (tracks: 5 to 9)




1973

1. Cantata I (poems by F. Tjoetchev and A. Blok)
2. Cantata II (poems by F. Tjoetchev and A. Blok)
3. Cantata III: Ode to Nightingale (ode by John Keats)

1983

4. Ode to Nightingale (ode by John Keats)

1977

5. Cantata IV (poetry by T. Shevchenko)
6. Cantata V  (poetry by T. Shevchenko)
7. Cantata VI (poetry by T. Shevchenko)

1995

8. Diptych: Our Father
9. Diptych: Testament (poetry by T. Shevchenko)



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Univers Zero - Live at Nottingham University (1978)
Postado por Andre Carvalho em domingo, 1 de fevereiro de 2015.




Por que ser uma das bandas mais obscuras da música, e ainda posar de diva, não é pra qualquer um.











La Faulx
Carabosse
Malaise
Complainte
Jack the Ripper
Ronde

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Chris Potter Underground Orchestra - Imaginary Cities (2015)
Postado por Thiago Miotto em segunda-feira, 19 de janeiro de 2015.

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Chris Potter é um multi-instrumentista e compositor nascido em Chicago, reconhecido há tempos como um dos maiores saxofonistas vivos. Em sua lista de trabalhos constam mais de uma dezena de álbuns autorais, além de centenas de álbuns como sideman junto de muitos dos maiores músicos ativos nas últimas décadas. Como poderão conferir, Potter e companhia abrem o ano de 2015 nos presenteando com um belo trabalho.

Formação:

Chris Potter: tenor and soprano saxophones, bass clarinet
Adam Rogers: guitars
Craig Taborn: piano
Steve Nelson: vibraphone, marimba
Fima Ephron: bass guitar
Scott Colley: double bass
Nate Smith: drums
Mark Feldman: violin
Joyce Hammann: violin
Lois Martin: viola
Dave Eggar: cello
 





Ivo Perelman - Bendíto of Santa Cruz (1999)
Postado por Andre Carvalho em domingo, 18 de janeiro de 2015.






Como o Fabricío Vieira observou  muito bem no seu post sobre o Perelman no Free Form Free Jazz, a abstração foi tomando lugar importante na obra do saxofonista, muito pelas parcerias as quais ele foi desenvolvendo (Matthew Shípp parece ser um dos mais importantes neste sentido). O álbum em questão, Bendíto of Santo Cruz, parece ter uma importância vital na obra do Perelman, como um ponto comum entre os anos 2000 e a década de 90, algo que ajustadamente condensa os dois. 

É um álbum primoroso, absolutamente fantástico. A segunda faixa, Macumba, não poderia ser mais cartesiana e solipsista, e o clima disso é grandioso.




Perelman devia ser ensinado nas escolas, tocado nas academias, ouvido nos bailes da terceira da idade, durante cirurgias cardíacas, em luais de estudantes de medicina, no radinho daquele ambulante maroto, nas esperas de chamadas das malditas e miseráveis operadores telefônicas, em torneios de bocha, na rua, na chuva, ou na fazenda, ou numa casinha de sapê. Ivo Perelman é vida.















Ivo Perelman: tenor saxophone
Matthew Shipp: piano


tracks:

Bendito of Santa Cruz (Take 1)
Macumba 
Anglo 
Roses 
Zé Do Vale 
Cego 
Cana Fita 
Bandeirantes 
The Lion
Bendito of Santa Cruz (Take 2) 


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Inhabitants - A Vacant Lot (2010)
Postado por Andre Carvalho.









Far Away In Old Words
Threes
Over It Begins
Wath About The Water?
Journey Of The Loach
Whistling Pass
Let Youth Be Served
Pacific Central






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Great Jewish Music: Jacob do Bandolim (2004)
Postado por Andre Carvalho em quinta-feira, 15 de janeiro de 2015.














Jacob do Bandolim foi um dos mais importantes nomes do choro no Brasil. Judeu de descendência polonesa por parte de sua mãe, nasce na segunda década do séc. XX na cidade do Rio de Janeiro, e na sua infância cercada de músicos, em pouco tempo desenvolve seu talento como bandolinista. 







Esta série da Tzadik, de homenagens a grandes músicos de origem judaica, traz grandes nomes do avantgarde para interpretar obras desses músicos homenageados. Nomes como Carla Kihlsted, Cyro Baptista, Rob Burger, Shanir Ezra Blumenkranz, Jamie Saft e outros. 










Noites cariocas (Cyro Baptista)
Pérolas (Ben Perowsky)
Assanhado (Rob Burger & Mauro Refosco)
Reminiscências (Rashanim)
Migalhas de Amor (Ana Cohen & The Choro Ensemble)
Sapeca (Pharao's Daughter)
Santa Morena (Shanir Ezra Blumenkranz)
Receita de Samba (Davka)
Falta-me Você (2 Foot Yard)
Sempre teu (Tim Sparks)
Mimosa (Carol Emanuel)
Ciumento (Jamie Saft)


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Charles Gayle - Consecration (1993) [REPOST]
Postado por Andre Carvalho em segunda-feira, 12 de janeiro de 2015.




Post especialmente dedicado para todos os amigos que conheci recentemente ao visitar o Rio de Janeiro. Ramon, Rômulo, Eddy, André Aires, Wanda e Bruna Almeida. Pelos bons momentos e pela feliz oportunidade de conhecer tantas pessoas sinceras e realmente especiais. Infelizmente não tenho ideia se algum dia voltarei a vê-los, mas certamente guardarei para sempre as memórias daquela inesquecível sexta-feira daquele final de novembro. Obrigado à todos por tudo.


                                                           °°°


Charles Gayle nasceu em fevereiro de 1939, em Buffalo, New York. Chegando a dar aulas de música na Universidade de Buffalo no final dos anos 60; passou grande parte da sua vida (mais de 20 anos) sendo morador de rua e tocando nos becos e estações de metrô de Nova York. Nos anos 80 foi descoberto pela Knitting Factory, por onde pode lançar seus álbuns.

Pouco se sabe sobre a vida de Charles Gayle, pois pouco ele revela. Como ele veio a se tornar um morador de rua ainda é um mistério. Uma das poucas coisas mencionadas por ele foi seu primeiro contato com a música. A irmã mais nova de Charles recebia aulas de piano em casa, Charles acabou se interessando e aprendeu uma ou duas pequenas peças a serem executadas no piano, mecanicamente por assim dizer. Mas a partir destas duas peças, Charles tornou-se um auto-didata e adentrou sua alma na música.

Certa feita elogiaram  o free-jazz o qual ele tocava, e Charles ficou impressionado, pois tampouco sabia que o quê ele tocava era free-jazz.

Uma das características do Senhor Charles é ele ser um homem extremamente religioso. Influenciado pelo antigo e novo testamento, e por a música gospel negra das igrejas americanas, o free-jazz de Charles Gayle é espiritual.






















O Father
Rise Up
Justified
Glorious Saints
Thy Piece
Redemption




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320 kbps | 145 MB



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Improviso livre: o verso livre da música.
Postado por Thiago Miotto em quarta-feira, 31 de dezembro de 2014.
Deixo abaixo um texto da autoria de André de Castro de Sealand traçando um paralelo e reflexão comparando a improvisação livre musical com o verso livre em poesia.

"Acho muito engraçado quando ouço várias pessoas falando bem e achando totalmente aceitáveis na arte coisas como o verso livre da poesia e estilos de pintura como o de Jackson Pollock, mas, quando o papo é música, tornam-se os maiores reacionários da forma e atacam a música improvisada como sendo "amusical"... E olha que eu gosto da forma, escrevo até sonetos, villanelles, haicais, tankas, quadras, sestilhas... Mas também escrevo verso livre. E não é porque ele é livre que prescinde do ritmo. O ritmo existe, apenas é mais complexo que o das formas antigas, mudando constantemente de lugar e direção...

Gosto de usar a analogia da casa e das grandes vastidões quando comparo formas fixas poéticas com o verso livre: formas fixas são como uma casa: há paredes, cômodos com funções definidas e maneiras de se comportar na casa, mesmo sendo nossa. Afinal, não é lá muito comum quebrarmos a pia de nosso próprio banheiro ou da área de serviço, pelo menos não em ocasiões quotidianas... Além disso, a analogia da casa é ótima também para explicar que uma pessoa só se sente "presa" entre essas paredes se ela não souber fazer dela seu lar, mas sim uma prisão...

O verso livre, por outro lado, é como uma grande vastidão: um deserto, um oceano, um pampa verde e sempre inóspito, não importa quantos homens e mulheres o atravessem, não importa quantos cavalos e bois...

É mais desafiador percorrer essas vastidões? Claro que é! Deve-se estudar o terreno (sim, deve-se estudar o terreno, deve-se estudar o verso livre), fazer conjecturas, pisar aqui e ali para ver se não há areia movediça ou animais perigosos, desfiladeiros, inimigos e outros tipos de adversidades e obstáculos. Mas para todos os que praticam este tipo de forma poética é totalmente desnecessário dizer que as recompensas são magníficas: paisagens sensacionais e nunca antes - nunca antes mesmo! - percorridas, descobrimentos de novas terras, seres que o idioma ainda nem sequer nomeou! Talvez até o descobrimento de nós mesmos. E essa talvez seja a grande busca de todas. Afinal, Hegel nos diz que a tarefa da Arte é a de nos encontrarmos enquanto seres humanos nela. Nos encontrarmos em nossas próprias criações. E alguém pode se encontrar entre quatro paredes, em seu próprio quarto, como o narrador de Xavier de Maistre em Viagem ao Redor de meu quarto, ou como o herói de Homero, Odisseu, que chegou aos Feácios completamente só e exausto, depois de enfrentar o poderoso mar de Poseidon.

Pois bem, eu comparo as formas fixas da poesia com as formas fixas da música. Até porque, árias e outras formas musicais inclusive têm a mesma estrutura de rimas e outras características formais da poesia. Basta analisar uma partitura antiga: veremos a estrutura exatamente como a das rimas da poesia: AABB, etc...

Claro, música e poesia eram unidas, eram gêmeas siamesas na antiguidade.

No entanto, se a poesia evoluiu, conseguindo se libertar da tirania da forma, por que ainda muitos acham estranho quando ouvem música improvisada? O poeta ou poetisa hoje têm a liberdade de utilizarem formas fixas ou verso livre, às vezes até mesmo uma combinação de ambas para chegar ao resultado que só eles buscam, não raro seguindo o próprio instinto, sem saber exatamente o que querem, por intuição, pura tentativa e erro. Mas o acerto dessa tentativa e erro, se for feito com muito estudo, dedicação, sinceridade e, principalmente, honestidade, tendo sempre em mente o público, traz recompensas quase sempre inestimáveis para todos.

Tudo isso para dizer que eu entendo a música improvisada como o verso livre da música: continua tendo ritmo, continua tendo suas regras. Mas suas regras são bem mais difíceis de entender - como as regras do deserto ou do oceano. É preciso muito cuidado para não morrermos de sede ou afogados. Mas o risco é válido. Melhor do que ficar sempre em casa, tomando chá com Handel.

A música é definitivamente a arte mais reacionária de todas. E o improviso livre é o pequeno revolucionário, que já existia, livre pela Terra, antes da arrogância nomeá-lo como "tendo que pertencer sempre ao Reino X ou Y.

Por enquanto, a música como um todo ainda é vista pela grande maioria das pessoas como um reino despótico, uma monarquia totalmente absolutista, do erudito ao axé, do jazz ao funk carioca. Resta saber se nós, do improviso livre, conseguiremos fazer com que ela chegue pelo menos a uma solução de compromisso, a uma espécie de liberalismo musical, ou seja, um equilíbrio entre caos total e ordem, entre individualismo e a sociedade, enfim, entre uma música totalmente feita para o ego do artista, inescutável, e uma música ditatorial, sujeita aos modismos da sociedade, que nem ao menos sabe por que a consome. Chegaremos - já chegamos! - a esta espécie de caos coeso, a uma forma que possa ser apreciada e compreendida pelo público, compreendida de verdade, não apenas aquele tipo de aceno afirmativo de cabeça que muitos fazem diante de obras sem sentido, apenas porque não têm coragem de afirmar que o que encontraram é uma droga?

Não tenho dúvidas. Mas é preciso que tanto ouvintes quanto músicos pensem sobre essas questões."

(autor: André de Castro de Sealand)
 





akaaka - Framework (2014)
Postado por Lucas aka em quarta-feira, 17 de dezembro de 2014.
'Framework' é uma passeio de 12 faixas pelo garage, ambient e chillwave, em um diálogo constante com o universo digital.


 

DOWNLOAD NO BANDCAMP 
 





The Dead C - The White House (1995)
Postado por J.V. em quinta-feira, 23 de outubro de 2014.
 



1."Voodoo Spell"  2:33
2."The New Snow"  12:27
3."Your Hand"  7:24
4."Aime to Prochain Comme Toi Même"  0:56
5."Bitcher"  6:32
6."Outside"  17:58

---

  • The Dead C – production
  • Michael Morley – instruments
  • Bruce Russell – instruments
  • Robbie Yeats – instruments

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    Sonora Aurora Youtube
    Postado por Andre Carvalho em quarta-feira, 22 de outubro de 2014.
    Kronos Quartet play's Sigur Rós
    Postado por Andre Carvalho em terça-feira, 21 de outubro de 2014.





    Aqui essa maravilha, Kronos Quartet interpretando Sigur Rós, e justo a primeira música é a qual eu considero a melhor do Agaetis Byrjun, Flugufrelsarinn. 





    Flugufrelsarinn
    Star-Spangled Banner (inspired by Jimi Hendrix)


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    Umlaut
    Postado por Henrique Tonin em sexta-feira, 17 de outubro de 2014.

     To Your Poverty Quietly Go - 2014

    Umlaut é um dos mais bacanas dentre os projetos dos remanescentes do Mr. Bungle, e deve ser o que mais lembra o som da banda. Mas mesmo que em alguns momentos você tenha a impressão de ouvir os próprios Trey Spruance, Trevor Dunn e companhia, saiba que são apenas jovens músicos que Clinton "Bär" McKinnon reuniu na Austrália para pôr em prática suas ideias, que tiveram pouco espaço na antiga banda californiana, já que ele começou a contribuir com composições meio tardiamente — o que não o impediu de deixar sua marca.

    Bär McKinnon conta que umas das suas contribuições ao Mr. Bungle eram ideias que tinha e que Mike Patton terminava como se fossem suas, transformando-as em vocais que encaixavam perfeitamente nas músicas. Isso pode ser considerado até uma falta de consideração de Mike Patton pelos colegas, mas também mostra o nível de afinidade entre os membros da banda e o talento absurdo do vocalista, mas antes de tudo faz pensar na qualidade musical de McKinnon: quem conhece os vocais de Mike Patton para o Mr. Bungle, em especial na fase final, sabe quantas melodias incríveis estão neles, e esse cara era um dos responsáveis por isso.

    Ao contrário dos seus antigos companheiros, Bär McKinnon não é tão prolífico, mas trabalha incansavelmente nas suas músicas: o até há pouco único álbum (também intitulado Umlaut) é uma joia e este também é. Ele puxa para aquela vertente do álbum California, relativamente complexo e divertido, com uma infinidade de sons (não só estilos: uma infinidade de barulhinhos e um instrumental excelente, com uma grande produção).

    Os heróis da divulgação da música alternativa de fato do The Holy Filament publicaram um resenha bem mais completa e séria quando o álbum saiu, em agosto desse ano. Confira aqui. O Flavio Seixlack também escreveu uma muito boa no Suppaduppa.

    Você pode comprá-lo no site do selo Romero Records e ajudar uma das bandas mais legais da atualidade, que infelizmente cancelou há pouco tempo uma tour pela América do Sul. Quem sabe um dia eles tenham suporte suficiente e apareçam por esses lados. 

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    Trivia: provavelmente só o próprio Mckinnon sabe em que lugar do nome "Umlaut" vai o trema; já vi ele escrito em qualquer uma das três vogais. Por convenção, no last.fm se usa "Ümlaut" e "Umläut" para distinguir de outros artistas com o mesmo nome.

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    Henry Kaiser - Under The Ice, Live At 21 Grand, Oakland (June 2008)
    Postado por Andre Carvalho em quarta-feira, 15 de outubro de 2014.


    Agradecimentos especiais ao camarada Suco de Fruta, vulgo Suco, residente em Foz do Iguaçu, na República Popular e Democrática do Paraná, por ter subido novamente esta pérola um tanto quanto esquecida, a qual havia sido inicialmente compartilhada pelo Henrique Tonin.

    Eu havia subido o álbum pro youtube, mas em seguida o google deletou minha conta e me desanimei um tanto pra postar aqui, mas, de ânimos devidamente bem recarregados, subo ele novamente. E aí está. 









    77 MB | 320 kbps
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    Shub-Niggurath - Les Morts Vont Vite (1986)
    Postado por Daniel.


    Como prometido está ai o album do Shub Niggurath, uma das melhores bandas de chamber rock de todos os tempos.

    Genre: RIO/ Avant-prog/ Chamber Rock
    Origin: France


    PROG ARCHIVES







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    Drunken Forest - EP (Biaggio Vessio) - WAV e mp3
    Postado por Thiago Miotto em quarta-feira, 10 de setembro de 2014.


    Drunken Forest é um desafiador projeto de Biaggio Vessio, guitarrista, compositor e improvisador paulistano. Muitas críticas estão classificando o álbum e projeto como Math Rock, mas, ao invés de reduzi-lo ao que comumente é conhecido pelo estilo, estou mais propenso a enxergá-lo como um trabalho que segue na direção do “poliestilismo radical”, que podemos conferir em diferentes abordagens nas obras de Alfred Schnittke, Ennio Morricone, Fantômas, Frank Zappa, John Zorn, Luciano Berio, Mr. Bungle, entre outros.

    Conheço pessoalmente o Biaggio há anos e acredito que posso afirmar sem receio que, apesar do pouco conhecimento do público (muito por conta de ter nascido e morar no Brasil, país que oferece pouco espaço para este tipo de música), ele é um dos maiores responsáveis na atualidade por novas abordagens na maneira de tocar guitarra e compor a partir do instrumento. O EP que segue é uma prova viva do que falo. Nas entrelinhas das passagens, sem o apelo visual, fica difícil distinguir quanto domínio e técnicas inusitadas o trabalho pede. De qualquer maneira, a trama sonora não perde em nada para o espanto que é assistir o Biaggio tocando suas músicas.

    À parte o trabalho com as composições, o guitarrista também se aventura no crescente cenário paulistano da improvisação livre, tendo sido integrante do extinto quinteto Mnemosine 5, que vocês podem conferir em vídeo clicando aqui, e participando esporadicamente do Circuito de Improvisação Livre. 

    Por fim, há um fato que chama muita atenção neste EP: com exceção do saxofone, todos os outros instrumentos - guitarra, baixo, teclados, bateria e percussões - foram escritas e ou executadas pelo próprio Biaggio Vessio.

    Resumidamente: aos ouvidos sem barreiras, fica a dica de um ótimo trabalho a ser conferido.


    download:

    WAV - 78 MB

    mp3 - 15 MB

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